ou
A Declaração Universal De Um Sonho Realizado
A sensação era de que o café-da-manhã às nove não poderia ter sido mais completo: pão integral, café-com-leite, fruta, iogurte com cereais, biscoitos, suco de laranja feito na hora.
Estava sozinho em casa.
Pois se morava sozinho e era solteiro.
O banho às oito e meia havia sido revigorante e demorado.
Saiu para ir trabalhar.
A manhã de Dezembro era fria, cinzenta.
No caminho para a estação de trem em Deptford Bridge sentiu o vento forte e gelado contra o rosto.
Era inverno.
Todos os prédios e casas naquela rua tinham tijolos escuros, marrons.
No trem: uns distraidos, outros contrariados, quase todos: pensativos.
Mas ele entrou, procurou por um vagão vazio e sentou à janela.
O subúrbio daquela cidade era longe, nublado, industrial.
O ar metálico.
Enquanto olhava pela janela, levantou os olhos para o céu e, mais uma vez, agradeceu.
E o seu coração continuaria a lhe guiar.
E a sua fé o protegeria.
Enquanto lia o The Guardian, concluiu:
sim, era uma pessoa feliz.
© Clodie Vasli, 2009